Ouro potável preparado alquimicamente, Malachias Geiger

“Emblema 5 – Avri potabilis chimice praeparatio” (Emblema 5 – Ouro potável preparado alquimicamente)

“Emblema 5 – Avri potabilis chimice praeparatio” (Emblema 5 – Ouro potável preparado alquimicamente) 850 480 V.M. Kwen Khan Khu

Amadíssimos leitores e leitoras:

Estamos enviando-lhes uma gravura interessantíssima do ponto de vista alquímico intitulada…

…EMBLEMA 5 – AVRI POTABILIS CHIMICE PRAEPARATIO
─ “EMBLEMA 5 – OURO POTÁVEL PREPARADO ALQUIMICAMENTE” ─

Ouro potável preparado alquimicamente, Malachias Geiger

Esta gravura foi realizada pelo artista alemão Wolfgang Kilian ─1581-1662─ e foi publicada em um livro alquímico e de medicina escrito pelo médico alemão Malachias Geiger ─1606-1671─ intitulado Microcosmus Hypochondriaca Tractatus ─1652─ “O Microcosmo hipocondríaco sobre a melancolia hipocondríaca”.

Aqui estão alguns comentários sobre o livro:

«Geiger, que era médico em Munique, tratava a hipocondria e a melancolia, não apenas como doenças do corpo, mas como obscurecimento do “sol interno”. O livro sustenta que o ser humano é um microcosmo que reflete a ordem do universo; se os astros internos estão em desordem, o corpo adoece. Grande parte dos capítulos está dedicada à preparação do Aurum Potabile ─ ”ouro potável” ─, metal perfeito e “solar”, um remédio alquímico considerado universal para tratar o transtorno conhecido na época como “melancolia hipocondríaca”, um estado que combina sintomas físicos com transtornos psicológicos ─ansiedade, depressão, medo─».

A imagem é conhecida com o nome de A Árvore da Vida, ou, segundo sua inscrição em latim: «EMBLEMA 5 – AVRI POTABILIS CHIMICE PRAEPARATIO», “EMBLEMA 5 – OURO POTÁVEL PREPARADO ALQUIMICAMENTE”.

Na parte superior do desenho estão representadas as forças do Pai ─seu nome está escrito em hebraico: Iod He Vau He─, o Filhoo cordeiroe o Espírito Santoa pomba─. Os círculos concêntricos, dos quais emanam raios de luz que atravessam o céu estrelado, contêm representações dos sete planetas, o cinturão zodiacal, palavras em latim e, no meio, um círculo com a Estrela de Davi, um triângulo com o signo de Mercúrio e outros dois pequenos triângulos.

Quando lemos a doutrina de nosso Patriarca, V.M. Samael Aun Weor, alusiva aos PLANETAS METÁLICOS DA ALQUIMIA, vemos refletidos nela esses comentários, segundo os quais ao longo de nossa vida a influência desses astros, a saber: a Lua, Mercúrio, Vênus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno, vai determinando acontecimentos físicos e metafísicos em nossa existência.

Palavras em latim desde o círculo exterior para o círculo interior:

IN VNO OMNIA: “Tudo no Uno”. Inquestionavelmente, queridos amigos e amigas, toda a criação tem sua origem no THEOMEGALOGOS, o Uno indivisível e eterno; dali emana tudo através dos sete cosmos.

AB UND OMNIA: “Tudo se origina do Uno”. Indubitavelmente a unidade produz a multiplicidade.

PER VNVM OMS: “Tudo por meio do Uno”. Reafirmação sobre o poder do santíssimo Theomegalogos.

ANNVS VENTORVM: “Anos dos ventos”, alusão aos tempos cíclicos que nossa humanidade vai experimentando em relação às idades cósmicas.

ANNVS SOLARIS: “Ano solar”, referente ao tempo no qual as vibrações cósmicas nos inundam com ideias solares.

ANNUS STELLATVS: “Ano sideral”, inerente ao tempo que dura uma era completa. Mercurio corporeus: “Mercúrio corpóreo”, alusão ao primeiro tipo de Mercúrio, azougue bruto, Mercúrio em estado animalóide.

Mercurius Vulgaris: “Mercúrio vulgar”, segundo tipo de Mercúrio, alma metálica do esperma.

Mercurius Philosophorum: Terceiro tipo de Mercúrio, chamado gnosticamente arché, Mercúrio com o qual se podem fabricar os veículos do Homem Solar.

Sulphur Aethereum: “Enxofre etéreo”, referente ao fogo invisível.

Sulphur Combustible: “Enxofre combustível”. Fogo tridimensional visível.

Sulphur Fixum: “Enxofre fixo”, Fogo Sagrado de Stella Maris ─Devi-Kundalini─.

Sal elementorum: “Sal dos elementos”. Todos os elementos da natureza levam em seu interior o Sal de seu próprio arché.

Sal terrenum: “Sal da Terra”, o Sal que encontramos na beira dos mares, na base dos vulcões, etc.

Sal Centrale: “Sal Central”. É o Sal da sublimação alquímica.

Quantor ad Opus Reperiuntur Ignes. Quatro fogos se encontram para a obra, a saber: o fogo vulgar, infernal, do homem fornicário; o fogo do homem que chega a conhecer o Arcano A.Z.F.; o fogo daquele que já transmuta suas energias criadoras e o fogo daquele que já despertou seu Kundalini.

À direita da gravura aparece uma águia ─AQVILA─ com duas esferas em suas garras. Em uma dessas esferas percebe-se um veleiro e na outra uma paisagem com uma montanha. A águia, alquimicamente, faz alusão ao elemento volátil ─o Mercúrio dos sábios─. A montanha simboliza as alturas espirituais que podemos conquistar em nossa travessia hermética.

O veleiro representa as reiterações do trabalho no Arcano ou as viagens alquímicas.

À esquerda, apreciamos uma Ave Fênix ─Phoenix─ com duas esferas também. Em uma das esferas, observamos entre as chamas uma salamandra, símbolo absolutamente alquímico, e na outra esfera um faisão, símbolo do Cristo íntimo. Temos que dizer que esses dois símbolos ─o faisão e a salamandra─ se correspondem com a Via Seca, segundo os Mestres da arte.

No centro da gravura vemos A ÁRVORE DA VIDA ─ARBOR VITAE─ e junto a ela um personagem feminino coroado com um livro em sua mão esquerda, Sapientia, “Sapiência”, e uma frase em latim que ela está pronunciando: Sapiens dominabitur astris, “o sábio exercerá sua dominação através dos astros”.

A divina mulher leva em sua mão direita um báculo ou espada com uma fita na qual se pode ler Qvod est superius est sicut inferius, “O QUE ESTÁ EM ACIMA É COMO O QUE ESTÁ ABAIXO”. Pendendo dos galhos da árvore, semelhantes a frutas, estão desenhados os signos dos elementos e dos planetas.

À direita, na pedra quadrada colocada em cima da caverna, está escrito: LONGITVDO DIERVM ET SANITAS GLORIAE ET DIVITIAE INFINITAE, “Longevidade de dias e saúde, glória e riquezas infinitas”.

O círculo desenhado na pedra contém um triângulo, um quadrado e outro círculo que envolve um casal. Isso é para indicar ao devoto que, se perseverar em sua travessia, terá uma vida cercada de saúde, glória e assistência divina.

Depois vemos, igualmente, as palavras Sulphur, Mercurivs, Sal; “Enxofre”, “Mercúrio” e “Sal”. Igualmente apreciamos as representações gráficas desses elementos nos cantos do triângulo.

Em cima há outra pedra cúbica com a Estrela de Salomão e um triângulo com o desenho do Sol em seu interior. Sobre esta pedra o pelicano tem seu ninho, alimentando seus filhotes com sua própria carne. O pelicano é um símbolo rosacruz que alegoriza o Cristo, que sempre dá sua vida pela humanidade. A pedra cúbica com a ESTRELA DE SALOMÃO indica a conquista da Grande Obra interior.

Duas figuras nuas, com a cabeça coroada pela Lua e pelo Sol respectivamente e ladeadas por dois leões, entram no laboratório alquímico da caverna. À direita, observamos o Deus Mercúrio, que aponta com a mão direita o que está escrito acima.

As duas figuras nuas, coroadas cada uma com o Sol e com o símbolo da Lua, aludem às potências alquímicas: o Enxofre e o Mercúrio.

Ao redor de um pavão real, na parte esquerda de nossa gravura, abaixo, está escrito: EGO SVM NIGER ALBUS CITRINUS ET RVBEVS, “Eu sou preto, branco, amarelo e vermelho”. Junto a ele há um corvo e um cisne. O corvo, com sua negrura, nos convida à morte mística, a morte do Ego animal, e o cisne, com sua brancura imaculada, nos promete a pureza da alma à qual devemos aspirar. As cores do pavão real indicam as cores que nosso Mercúrio há de experimentar.

Ao fundo da gravura vemos duas pessoas tentando matar um basilisco, criatura mitológica que alegorizava os venenos do mundo. Todo Adepto deve certificar-se, mediante um exame rigoroso de si mesmo, de haver eliminado os restos do basilisco em sua natureza anímica para evitar voltar a perder sua Pedra Filosofal.

Finalizo nossa descrição com algumas frases para motivar suas reflexões:

«Uma boa reputação é um segundo patrimônio». Publio Sirio

«A glória marcha por um caminho tão estreito que só pode ir um homem de frente».
Shakespeare

«Mais vale o bom nome que as muitas riquezas».
Cervantes

«Morrer é o destino comum dos homens; morrer com glória é o privilégio do homem virtuoso».
Isócrates

«A terra inteira é o mausoléu dos homens ilustres».
Péricles

HEU ME MISERUM.
─ “Ai de mim, miserável” ─.

KWEN KHAN KHU