Cânones originais do Esoterismo Gnóstico Universal em relação ao pseudoesoterismo elemental

Cânones originais do Esoterismo Gnóstico Universal em relação ao pseudoesoterismo elemental 850 480 V.M. Samael Aun Weor

1.- Existem muitas escolas de pseudoesoterismo e pseudo-ocultismo barato, mas dificilmente são encontradas pessoas sérias. Se chamássemos ao caminho as cinco milhões de pessoas que se dedicam aqui, no México, ao pseudoesoterismo e ao pseudo-ocultismo barato, se as chamássemos de verdade ao caminho, se colocássemos sobre a mesa, diante deles, os postulados da gnose, se lhes fosse ensinado o que é o caminho da autorrealização íntima, tenho certeza de que a maior parte delas fugiriam apavorados. Muitas delas são eruditas em teosofia, em pseudorrosacrucianismo, etc. Desgraçadamente, é difícil encontrar pessoas sérias, o que todas elas buscam é uma forma de diversão. Quase todos esses pseudossapientes do pseudo-ocultismo barato o que querem, no fundo, é se distrair um pouco, se divertir. Mas quando os postulados da autorrealização são realmente colocados na mesa e são convidados a trabalhar, então fogem apavorados. Portanto, não é autorrealização o que eles andam buscando, mas alguma forma de diversão e isso é tudo. 

Nós, antes de tudo, precisamos ser pessoas sérias. Eu não poderia chamar de “sério” alguém que não se preocupe em autoexplorar-se, alguém que não se preocupe em autoconhecer-se. 

Os antigos disseram: Nosce te ipsum – “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os Deuses”. Como alguém poderia conhecer o mundo astral se não conhece a si mesmo? Como poderia, em verdade, conhecer a mente universal se não conhece sua própria mente? Como alguém poderia conhecer o mundo das causas naturais se não conhece as causas de seus próprios erros psicológicos? 

Fala-se muito dos mundos internos, mas se alguém não conhece seus próprios mundos internos, como pode conhecer os mundos internos do planeta Terra ou do sistema solar ou da galáxia em que vive, ou do infinito? 

Temos que ser sérios! No mundo do pseudoesoterismo e do pseudo-ocultismo barato, há muito psiquismo inferior… 

2.- Muitos querem Iniciações: “Fulano de tal já está na quinta, é um Mahatma”; “a Beltrano, por aí lhe disse um médium tal que ia na sexta e amanhã chegará à sétima”. Isto é falta de seriedade, falta de seriedade! Como alguém vai conhecer os mundos internos se não conhece os seus próprios mundos internos? 

No psiquismo inferior há despropósitos terríveis: pessoas que sonham e acreditam que estão despertas, e o mais grave é que sonham acordadas, sonham acreditando-se despertas. 

3.- Tais sonhadores de tipo negativo – mediúnico –, tais alucinados projetam seus sonhos sobre as pessoas e vêem nas pessoas seus próprios sonhos negativos, incoerentes e absurdos. Essa é a crua realidade dos fatos! 

Nós queremos realidades objetivas, não sonhos absurdos e incoerentes. Eu não poderia aceitar sonhos, quero realidades objetivas, e isso mesmo desejo para todos vocês. Tais realidades objetivas são possíveis quando em verdade se objetivou a Consciência. Mas não é possível objetivar a Consciência se antes não se passou realmente pela aniquilação budista – terrível palavra que horroriza algumas escolas. 

Isto da “aniquilação” incomoda realmente as escolas do pseudoesoterismo e do pseudo-ocultismo barato. Resulta que o Ego não quer passar por nenhuma aniquilação; o Ego quer realmente viver, custe o que custar, não quer a aniquilação. 

Obviamente, meus queridos irmãos, devemos compreender a “doutrina dos muitos”. 

4.- As religiões, digamos, ortodoxas são sete, e as seitas religiosas, cinco mil e tantas. Obviamente, as mais importantes são as ortodoxas, porque têm dois círculos: o exotérico ou público e o esotérico ou secreto. 

Na religião de Maomé, por exemplo, vemos os dois círculos: o público, nas mesquitas muçulmanas, e o secreto, entre os sufis. Estes não estudam o livro sagrado do Alcorão de forma meramente exotérica, mas esotérica, deixando de lado a letra que mata para apreender ou capturar o espírito que vivifica e dá vida, o que está escrito nas linhas, o que as multidões não são capazes de entender. 

O mesmo acontece nas outras religiões ortodoxas. Ainda dentro da própria religião cristã, denominada catolicismo, existem dois círculos: o exotérico ou público e o esotérico. Por exemplo, em torno da Serra da Demanda, na Espanha, há uma cadeia de monastérios gnósticos. No entanto, aparentemente, pareceriam de tipo católico; os padres ali rezam missa, pregam no púlpito, etc., mas se reúnem em segredo, à portas fechadas, para estudar a gnose, são gnósticos; e é toda uma cadeia de monastérios, estuda-se o esoterismo crístico. 

No budismo ortodoxo vemos dois círculos: o público e o secreto. O público se vê muito no Ceilão, na Índia, na China, etc., e até no Japão, mas o secreto-esotérico é inacessível aos profanos. No Tibete, encontramos as duas formas do budismo: a parte pública para o público e a parte secreta ou tântrica para os Iniciados. Isto há que saber entender. 

Nós seguimos a Senda Secreta, somos os gnósticos: os gnósticos que foram lançados aos circos de feras em tempos de Nero; os gnósticos queimados vivos nas fogueiras da Inquisição; os gnósticos essênios, entre os quais está o Grande Kabir Jesus, os peraticenos ou peratas, os agostinianos, etc. 

5.- Estabelecidos firmemente estes esclarecimentos, passemos agora a definir com inteira clareza meridiana o Gnosticismo. Não é demais esclarecer enfaticamente que o Gnosticismo é um processo muito íntimo, natural e profundo, esoterismo autêntico de fundo desenvolvendo-se de instante em instante, com vivências místicas muito particulares. Doutrina extraordinária que, fundamentalmente, assume a forma mística e, às vezes, mitológica. Inquestionavelmente, o conhecimento gnóstico escapa sempre às normais análises do racionalismo subjetivo. O correlato desse conhecimento é a intimidade infinita da pessoa, o Ser. 

A razão de ser do Ser é o próprio Ser. Somente o Ser pode conhecer a si mesmo. O Ser, portanto, se autoconhece na Gnose. O ser reavaliando-se e conhecendo a si mesmo é a autognose; indubitavelmente, esta última em si mesma é a Gnose. O autoconhecimento do Ser é um movimento suprarracional que depende Dele, que nada tem a ver com o intelectualismo. O abismo que existe entre o Ser e o Eu é intransponível e por isso o Pneuma, o Espírito, reconhece-se e este reconhecer-se é um ato autônomo para o qual a razão subjetiva do homem intelectual se revela ineficaz, insuficiente, terrivelmente pobre. Autoconhecimento e autognose implicam em aniquilação do Eu como trabalho prévio, urgente, impostergável. 

O Eu, o Ego, é constituído por somas e subtrações de elementos subjetivos, inumanos, bestiais, que, inquestionavelmente, têm um princípio e um fim. A Essência, a Consciência, embutida, engarrafada, enfrascada dentro dos diversos elementos que constituem o Mim mesmo, o Ego, inafortunadamente, é processada dolorosamente em virtude de seu próprio condicionamento. Dissolvendo o Eu psicológico, a Essência, a Consciência, desperta, ilumina-se, liberta-se; então vem como sequência autoconhecimento, a autognose. 

Indubitavelmente, a revelação legítima tem suas bases irrefutáveis, irrebatíveis, na autognose. A revelação gnóstica é sempre imediata, direta, intuitiva; exclui radicalmente as operações intelectuais de tipo subjetivo; nada tem a ver com a experiência e montagem de dados fundamentalmente sensoriais. A inteligência, o Nous em seu sentido gnoseológico, embora seja verdade que pode servir de base à intelecção iluminada, recusa-se categoricamente a cair no vão intelectualismo. Resultam patentes e evidentes as características ontológicas, pneumáticas ou espirituais do Nous (inteligência). 

Em nome da Verdade há que dizer solenemente que o Ser é a única real existência, ante cuja 

transparência inefável e terrivelmente divina isso que chamamos de Eu, Ego, Mim mesmo, Si mesmo, é 

meramente trevas exteriores, pranto e ranger de dentes. Autognose, ou reconhecimento autognóstico 

do Ser, dada a vertente antropológica do Pneuma ou espírito, resulta algo decididamente salvador. 

Conhecer a si mesmo é ter conseguido a identificação com seu próprio Ser Divinal. Saber-se idêntico com seu próprio Pneuma ou espírito, experimentar diretamente a identificação entre o conhecido e o cognoscente, é isso que podemos e devemos definir como autognose. 

Esta reflexão evidente leva-nos ao tema da livre escolha gnóstica. Inquestionavelmente, o gnóstico sério é um eleito a posteriori. A gnóstica experiência permite saber-se e autorrealizar-se integralmente. Entenda-se por autorrealização o desenvolvimento harmonioso de todas as infinitas possibilidades humanas. 

O gnóstico autêntico quer uma mudança definitiva, sente intimamente os secretos impulsos do Ser, daqui a sua angústia, rejeição e vergonha diante dos diversos elementos inumanos que constituem o Eu. Quem anseia perder-se no Ser carrega a condenação e o espanto diante dos horrores do Mim Mesmo.  

O gnóstico que foi salvo das águas fechou o ciclo das amarguras infinitas, ultrapassou o limite que separa o âmbito inefável do Pleroma das regiões inferiores do universo, escapou corajosamente do Império do Demiurgo porque reduziu o Ego à poeira cósmica. A passagem através dos diversos mundos, a aniquilação sucessiva dos elementos inumanos, afirma esta reintegração no Sagrado Sol Absoluto e então, convertidos em criaturas terrivelmente divinas, passamos além do bem e do mal. 

A Revolução da Consciência é sintetizada em três fatores primordiais: 

1. MORRER (eliminação da psique subjetiva). 

2. NASCIMENTO (nascimento das faculdades internas). 

3. SACRIFÍCIO PELA HUMANIDADE.

Samael Aun Weor

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