O insignificantes que somos, Daniel Meisner

“Omnis dies, omnis hora, qvam nihil sumus, ostendit” (Cada dia, cada hora nos mostra o insignificantes que somos)

“Omnis dies, omnis hora, qvam nihil sumus, ostendit” (Cada dia, cada hora nos mostra o insignificantes que somos) 850 480 V.M. Kwen Khan Khu

Mui queridos/as amigos/as:

Envio-lhes nesta oportunidade a presente gravura que tem por título…

…OMNIS DIES, OMNIS HORA, QVAM NIHIL SUMUS, OSTENDIT

Cada dia, cada hora nos mostra o insignificantes que somos, Daniel Meisner

A imagem é uma gravura alegórica do século XVII intitulada Omnis dies, omnis hora, qvam nihil sumus, ostendit, “Cada dia, cada hora nos mostra o quão insignificantes somos”, que nos faz ver nossa própria nulidade. A obra faz parte da famosa série Thesaurus Philo-Politicus, publicada por Daniel Meisner ─1585-1625─ e Eberhard Kieser ─1583-1631─ em Frankfurt a partir de 1623.

Primeiramente aparece um filósofo ou erudito segurando um relógio em uma mão e o Sol na outra. Atrás dele, um esqueleto ─a morte─ sustenta uma gadanha. Ao fundo, uma vista panorâmica da cidade de Friburgo de Brisgóvia, na Alemanha; assim é como os autores conceberam suas mensagens, usando reproduções de paisagens urbanas.

Alguns textos em latim:

QVAM NIHIL IN VITA SUMUS HAC, QVAM TURBA MISELLA, UNUSQUISQUE DIES, QUAELIBET HORA PROBAT.

Tradução: “Quão nada somos nesta vida, quão pobre multidão, demonstra cada dia singular, qualquer hora”.

E o texto em alemão afirma o mesmo, eis aqui a tradução: «Que não somos nada nesta vida, um povo miserável cercado pela morte: isso o demonstra, demonstra de forma clara e, sim, a cada hora».

O que nos é dito com tudo isso, queridos/as leitores/as?

Primeiramente, devemos enfatizar que somente os que buscam conhecer a si mesmos vão encontrando a falsidade de nossa vã existência. Esses que buscam a si mesmos são os amantes da reflexão, da filosofia, da Verdade… Por isso vemos esse filósofo com um Sol de um lado e um relógio do outro lado. O Sol é o SER que ilumina os buscadores do Pai e o relógio lhes recorda constantemente que não devemos perder tempo, que a vida é muito curta e o trabalho para nos autorrealizarmos é árduo e longo…….

Nada somos, queridos companheiros, enquanto estamos impregnados pelos dez mil agregados psicológicos que em nosso interior carregamos.

Obviamente, a morte de nosso corpo físico sempre nos rodeia e devemos estar alertas para nos lembrarmos de que sempre somos vigiados pelas hierarquias divinas e pelo próprio destino. Quando perambulamos com a Consciência adormecida, não percebemos essas verdades e a morte nos engole quando ela quiser.

Recordemos uma passagem de um de nossos cerimoniais:

«Desperta, irmão! Desperta! Desperta! Seria lamentável que continuasses adormecido no mundo dos mortos.

Irmão, medita profundamente no Senhor da Grande Compaixão.

Oh, nobre irmão gnóstico! O que se chama morte chegou agora. Deixas o mundo, mas não é somente tu a fazê-lo. A morte é a coroa de todos.

Não continues atado a este mundo por sentimentalismos, afetos e debilidades, pois ainda que por ignorância queiras fazê-lo, não te convém. Recorda-te de tua Mãe Divina, busca-a dentro de ti mesmo, pede-lhe que te oriente”.

Entrego-lhes agora algumas frases para suas reflexões:

«A morte é a ceifadora que a todos nos torna iguais».
P. Pedro de Guzmán

«A morte fez do corpo morada inútil da alma».
Frei Luis de León

«A morte dá lições e exemplos; a morte nos leva o dedo pelo livro da vida».
José Martí

«A morte, por nós tão temida, não é mais do que o fim da jornada da vida».
Campoamor

«Morrer não é outra coisa senão mudar de residência».
Marco Aurélio

MEMENTO MORI.
─ “Recorda que hás de morrer” ─.

KWEN KHAN KHU