Mui queridos/as amigos/as:
Envio-lhes nesta oportunidade a presente gravura que tem por título…
…OMNIS DIES, OMNIS HORA, QVAM NIHIL SUMUS, OSTENDIT

A imagem é uma gravura alegórica do século XVII intitulada Omnis dies, omnis hora, qvam nihil sumus, ostendit, “Cada dia, cada hora nos mostra o quão insignificantes somos”, que nos faz ver nossa própria nulidade. A obra faz parte da famosa série Thesaurus Philo-Politicus, publicada por Daniel Meisner ─1585-1625─ e Eberhard Kieser ─1583-1631─ em Frankfurt a partir de 1623.
Primeiramente aparece um filósofo ou erudito segurando um relógio em uma mão e o Sol na outra. Atrás dele, um esqueleto ─a morte─ sustenta uma gadanha. Ao fundo, uma vista panorâmica da cidade de Friburgo de Brisgóvia, na Alemanha; assim é como os autores conceberam suas mensagens, usando reproduções de paisagens urbanas.
Alguns textos em latim:
QVAM NIHIL IN VITA SUMUS HAC, QVAM TURBA MISELLA, UNUSQUISQUE DIES, QUAELIBET HORA PROBAT.
Tradução: “Quão nada somos nesta vida, quão pobre multidão, demonstra cada dia singular, qualquer hora”.
E o texto em alemão afirma o mesmo, eis aqui a tradução: «Que não somos nada nesta vida, um povo miserável cercado pela morte: isso o demonstra, demonstra de forma clara e, sim, a cada hora».
O que nos é dito com tudo isso, queridos/as leitores/as?
Primeiramente, devemos enfatizar que somente os que buscam conhecer a si mesmos vão encontrando a falsidade de nossa vã existência. Esses que buscam a si mesmos são os amantes da reflexão, da filosofia, da Verdade… Por isso vemos esse filósofo com um Sol de um lado e um relógio do outro lado. O Sol é o SER que ilumina os buscadores do Pai e o relógio lhes recorda constantemente que não devemos perder tempo, que a vida é muito curta e o trabalho para nos autorrealizarmos é árduo e longo…….
Nada somos, queridos companheiros, enquanto estamos impregnados pelos dez mil agregados psicológicos que em nosso interior carregamos.
Obviamente, a morte de nosso corpo físico sempre nos rodeia e devemos estar alertas para nos lembrarmos de que sempre somos vigiados pelas hierarquias divinas e pelo próprio destino. Quando perambulamos com a Consciência adormecida, não percebemos essas verdades e a morte nos engole quando ela quiser.
Recordemos uma passagem de um de nossos cerimoniais:
«Desperta, irmão! Desperta! Desperta! Seria lamentável que continuasses adormecido no mundo dos mortos.
Irmão, medita profundamente no Senhor da Grande Compaixão.
Oh, nobre irmão gnóstico! O que se chama morte chegou agora. Deixas o mundo, mas não é somente tu a fazê-lo. A morte é a coroa de todos.
Não continues atado a este mundo por sentimentalismos, afetos e debilidades, pois ainda que por ignorância queiras fazê-lo, não te convém. Recorda-te de tua Mãe Divina, busca-a dentro de ti mesmo, pede-lhe que te oriente”.
Entrego-lhes agora algumas frases para suas reflexões:
«A morte é a ceifadora que a todos nos torna iguais».
P. Pedro de Guzmán
«A morte fez do corpo morada inútil da alma».
Frei Luis de León
«A morte dá lições e exemplos; a morte nos leva o dedo pelo livro da vida».
José Martí
«A morte, por nós tão temida, não é mais do que o fim da jornada da vida».
Campoamor
«Morrer não é outra coisa senão mudar de residência».
Marco Aurélio
MEMENTO MORI.
─ “Recorda que hás de morrer” ─.
KWEN KHAN KHU