Relógio auxiliar do Anjo da Guarda, Jeremías Drexel

“Horologium auxiliaris tutelaris angeli” (Relógio auxiliar do Anjo da Guarda)

“Horologium auxiliaris tutelaris angeli” (Relógio auxiliar do Anjo da Guarda) 850 480 V.M. Kwen Khan Khu

Amadíssimos/as leitores/as:

Contenta-me fazer-lhes chegar a presente gravura que aparece intitulada em um livro em latim com o nome…

…HOROLOGIUM AUXILIARIS TUTELARIS ANGELI ─‘Relógio auxiliar do Anjo da Guarda’─

Relógio auxiliar do Anjo da Guarda, Jeremías Drexel

Este livro foi escrito pelo jesuíta alemão Jeremias Drexel ─1581-1638─ e publicado em 1631 em Amsterdã. O livro é conhecido também com o título O companheiro horário do cristiano devoto: composto de orações santas e meditações divinas.

Para nos adentrar no estudo desta linda gravura colocamos nossos olhos nas nuvens dos céus, e dentro delas aparecem as palavras hebreias alusivas ao Criador IOD HE VAU HE ─traduz-se como JEOVÁ─.

Mais para baixo aparecem as palavras latinas DISCE ORARE ─tradução: ‘aprende a orar’─.

Já fora das nuvens observamos outras duas palavras latinas: DISCE VIVERE ─tradução: ‘aprende a viver’─.

Aos pés do anjo de nossa gravura podemos ver uma tocha e uma jarra d’água acompanhadas das palavras latinas DISCE MORI ─tradução: ‘aprende a morrer’─.

O que significa tudo isso?

Inquestionavelmente que todos os que tratamos de viver o Caminho Secreto que nos ensina a Gnose, devemos ter muito clara a necessidade imediata de saber orar, saber viver e saber morrer.

As meditações ou reflexões e orações deste livro concentram-se em três coisas básicas, como mostra a gravura:

Primeiro: Em «aprender a morrer psicologicamente» por meio, por exemplo, de reflexões sobre a certeza da morte mística, ou sobre a irreparável perda do tempo, ou sobre a multidão de nossas dívidas kármicas. Quanto a esta questão de saber morrer, são muitíssimos os estudantes da Gnose que acreditam, realmente, estar morrendo psicologicamente, mas na realidade estão fantasiando consigo mesmos. Para realmente morrer, necessita-se atravessar muitas crises emocionais, padecimentos voluntários, sacrifícios conscientes, e isso não são palavras, nem poses pietistas, nem fingidas mansidões, não. A verdadeira morte interior sempre nos provocará amargura interior, e não podemos cair na autocompaixão para justificar nossas tristezas ou prantos. Os verdadeiros mártires da antiguidade que abraçaram a morte mística, para cúmulo, sempre estiveram sozinhos, sem uma mãozinha que lhes fizesse carinho no ombro ou lhes prometesse uma vida melhor…

Segundo: Por outro lado, ditas meditações do livro se concentram em «aprender a viver» meditando sobre a paciência, a obediência aos princípios divinos, a temperança, a humildade, etc. Saber viver significa estar sempre vigilantes de permanecer na RETA MANEIRA DE ATUAR, RETA MANEIRA DE SENTIR E RETA MANEIRA DE PENSAR. Para poder realizar esta tarefa é indispensável NÃO NOS ESQUECER DE NÓS MESMOS em nenhum momento. Isto significa permanecer, como bem o expressou nosso bendito Guru: «Como o vigia em época de guerra». Nossas palavras devem ser meditadas antes de ser pronunciadas, nossos pensamentos têm de ser examinados antes de dá-los por certos e nossas ações devem coincidir com nossos anelos profundos de querer mudar nossa vida mecânica por uma vida CONSCIENTE.

Terceiro: «Aprender a orar», o qual significa conversar com nosso Deus interno. Para saber orar é necessário fazê-lo no TERCEIRO ESTADO DE CONSCIÊNCIA, em outras palavras, nossas orações nunca se devem realizar de maneira mecânica. Quando oramos mecanicamente ─diz nosso Patriarca Samael Aun Weor─ nossos agregados psicológicos tomam nossas orações e as revertem contra nós mesmos, de tal maneira que aquilo que estivermos suplicando, tornar-se-á algo que, justamente, rogará o contrário do que anelamos receber.

Em uma seção mais abaixo encontramos as seguintes palavras latinas:

«Horologii ab Angelo directi Funiculus triplex; VITA, VOTA, FATA. Trahe VITAM Secundum Deum Trahe VOTIS ad te Deum post FATA traheris ad Deum».

Tradução:

‘O triplo fiozinho do relógio dirigido pelo anjo está-nos dizendo: VIDA, VOTOS, DESTINO. Transcorre a vida segundo Deus’.

Em outras palavras, trata de fazer coincidir sua vida com a vontade de seu REAL SER.

‘Atrai Deus para si por meio dos votos’.

Ou promessas, o que significa que, aquilo que prometa a seu SER INTERIOR, trata de cumpli-lo sempre. Põe em ação o thelema ─a vontade─ para que seus votos se façam realidade. Não se deixe arrastar pela força maléfica da entropia.

‘Depois do Hado [o destino] será arrastado para Deus’.

Certamente, mediante a perseverança, pouco a pouco, a própria força do SER ir-lhe-á atraindo para a Grande Realidade. O encontro com nosso Pai interior sempre é o resultado de duas forças: uma força centrífuga ─a que exerce o SER de dentro para fora─ e outra força centrípeta ─a que exerceremos nós de fora para dentro mediante a oração, os jejuns, as práticas esotéricas, a continuidade de propósitos, etc., etc., etc.─.

O relógio que nos mostra o anjo, nos está indicando que nossa vida transcorre mais depressa do que achamos. Fomos enviados para uma escola que chamamos de VIDA e temos de fazer-nos conscientes de nossa curta estância na mesma.

Os três fiozinhos que estão atados ao dito relógio assinalam, justamente, o antes mencionado e explicado: VITA, VOTA, FATA, a vida, os votos e os fatos, ou o destino.

Também resulta interessante ver que essas três cordas do relógio de nosso anjo têm terminações florais. Por quê? Pois, justamente, porque o cumprimento de nossos deveres: saber viver, saber orar e saber morrer, nos dará os frutos espirituais que ansiamos encontrar no transcurso de nosso percurso.

Além disso, é interessante observar que TUDO PASSA, nada permanece. Passam os tempos, passam as épocas, passam as modas, passam os amigos, passam os inimigos, passam as estações: primavera, verão, outono e inverno, passam as glórias humanas, passam as paixões, passa a beleza, passa a fealdade, passam as palavras, passam as honras, passam as metas humanas, etc., etc., etc. Somente permanece aquele que FOI, É E SERÁ, ou seja, O SER INTERIOR PROFUNDO.

Com estas palavras também queremos assinalar que a água que brota do vaso ou ânfora que pisa o pé do anjo, e igualmente a tocha, ambas as coisas no chão são também passageiras, mesmo que não pareça.

O V.M. Samael sempre nos falou de uma das partes autônomas e autoconscientes chamada de nosso Anjo da Guarda. Esta parte sagrada de nosso REAL SER sempre está velando por nós, procurando a cada instante que valorizemos cada segundo de nossa existência a fim de que não percamos o tempo enquanto vivemos sobre a face de nosso mundo. Tal é a figura central de nossa gravura, e por isso o vemos apontando com sua mão direita ao Criador próximo das palavras hebraicas que o definem.

Presenteio-lhes agora algumas frases para a reflexão:

«A oração deveria ser a chave do dia e o ferrolho da noite». Thomas Fuller

«Conformar-se com a vontade de Deus é a oração mais linda da alma cristã». São Alfonso Maria de Ligório

«A verdadeira oração não consiste em recolher-se a uma determinada hora para proferir palavras orais ou mentais, mas é um modo religioso de fazer tudo, e assim se come, se bebe, se passeia, se diverte, se escreve, se trabalha e até se dorme oracionalmente; tudo é oração». Unamuno

«Alguns pensamentos são como orações. Em certos momentos, qualquer que seja a postura do corpo, a alma está de joelhos». Vítor Hugo

«A arte e a ciência não bastam, mas é, além, indispensável a paciência». Goethe

TEMPORA MUTANTUR. ─‘Os tempos estão mudando’─.

KWEN KHAN KHU