A arte (hermética) é despreada em nossa época, Daniel Meisner

“Ars nostro spernitur ævo” (A arte [hermética) é desprezada em nossa época)

“Ars nostro spernitur ævo” (A arte [hermética) é desprezada em nossa época) 850 480 V.M. Kwen Khan Khu

Mui amados/as amigos/as:

Esta é a nona gravura da coleção de Daniel Meisner.

"Ars nostro spernitur ævo" (A arte [hermética] é desprezada em nossa época), Daniel Meisner

ARS NOSTRO SPERNITUR ÆVO é seu título e se traduz como “A arte (hermética) é desprezada em nossa época”.

A figura central é um homem ancião, um erudito ou artista, caminhando e levando nas costas uma enorme cesta cheia de instrumentos e ferramentas: um compasso, um esquadro, uma régua, um instrumento astronômico antigo que se assemelha a uma cruz e que serve para calcular a distância entre dois corpos celestes, um globo terrestre, etc., etc.

Na faixa pendurada se lê: VIRES ACQVIRIT EVNDO, o qual significa “Adquire forças ao andar”; o sujeito da frase deve ser o peregrino que estuda os mistérios das estrelas.

A seus pés há uma pedra de moinho e uma fonte, e como fundo tem a imagem da cidade de Oppenheim, Alemanha. A pedra de moinho faz referência à Pedra Filosofal, esta é a razão pela qual está perto da fonte de água que lhe é próxima.

Uma tradução do texto em alemão antigo: “Isto é certamente uma grande honra, mas hoje em dia não se tem muito respeito. Onde há muitas pessoas muito cultas, e onde as artes liberais são praticadas com finura”.

As palavras em latim e sua tradução:

Gloria vera haec est; sed nostro spernitur aevo; Aret ubi Clarius, Phocidas unda, latex.

“Esta é a verdadeira glória, mas em nosso tempo é desprezada. A água corrente, o líquido é consumido onde está Clarius ─Apolo─, o Fócido”.

Aqui é necessário explicar duas coisas:

A primeira é que a palavra Fócido não existe. Também poderia ser fócidos, mas é uma árvore, um tipo de pereira, que não tem nenhuma relação com o texto. Embora gramaticalmente não seja correto, a única lógica é que se refira à região da Fócida, onde se encontrava o santuário de Delfos, consagrado a Apolo. Clarius é um atributo de Apolo, que era venerado em uma cidade da Jônia. Então, se faz referência a dois dos maiores santuários apolíneos do mundo antigo.

A segunda coisa a notar é que a palavra latex significa muitas coisas: água, vinho, azeite, leite, qualquer bebida ou líquido em geral. É claro que se refere ao líquido mercurial.

O verbo areo significa “consumir-se”, “tornar-se árido”, “secar-se”. Quando nosso Mercúrio cristaliza em nossa anatomia oculta, então ficam fabricados nossos veículos internos.

Portanto, o sentido geral é que o Mercúrio é consumido, secado até onde se encontra o culto ao deus Apolo, símbolo de Cristo, pois uma vez fabricada a PEDRA FILOSOFAL estaremos muito perto do Cristo íntimo e, portanto, muito provavelmente nosso trabalho transmutatório ficará relegado a um segundo plano. Este é o sinal segundo o qual o conhecimento da arte hermética já era desprezado, lamentavelmente, até mesmo onde deveriam encontrar-se as pessoas mais sábias, o que mantém plena concordância com a frase em alemão antigo. A erudição de nossos dias se relaciona com o intelectualismo vão e insípido em relação às coisas do Espírito.

Esta gravura nos introduz em uma reflexão interessante, e é que se já naqueles tempos ─anos 1500, 1600 e 1700─ todo o relacionado com a ARTE TRANSMUTATÓRIA era desprezado pelas multidões e as pessoas apenas começavam a se interessar pela erudição intelectual, pois é apenas normal que em nossos dias esse desprezo tenha se acentuado ainda mais em nossa sociedade. Daí que a Branca Irmandade considere na atualidade que o gênero de humanóides já não merece que lhe sejam abertas as portas da liberação.

Entrego-lhes algumas frases para a sua reflexão:

«Nunca se cansa o que confia».
Quevedo

«A fé consiste em aceitar as afirmações da alma, e a ausência de fé em negá-las».
Emerson

«Não há pessoa sábia sem fé».
Tertuliano

«Deixa o que segue aos Deuses».
Horácio

«Os homens são capazes de obrar milagres quando têm fé».
Carlyle

GLADIUS DEI.
─ “A espada de Deus” ─.

KWEN KHAN KHU