Amados leitores:
Estou feliz em enviar-lhes este óleo de um artista chamado Lorenzo Lotto, dos tempos de 1505. Esta obra está preservada na Galeria Nacional de Arte de Washington.
O título desta obra de arte é…
…ALEGORIA DA CASTIDADE
ALEGORIA DO SONO VIGILANTE DA ALMA

Vamos começar observando uma vasta paisagem arborizada que serve de pano de fundo para a cena, com o brilho do pôr do Sol.
No centro, banhada por uma luz misteriosa, vemos uma mulher jovem descalça vestida com uma túnica branca que combina com um manto dourado, reclinada suavemente sobre um tronco de loureiro com dois brotos, tudo isso nos recorda a figura mitológica de Dafne e sua existência efêmera. Ela está em harmonia com uma sensação de quietude, um estado suspenso de visão purificadora, muito distante do abandono inconsciente do sono. Acima da jovem, um querubim derrama uma cascata de flores brancas sobre ela, talvez uma alusão ao poema de Petrarca: “Chiare, fresche et dolci acque”, “Águas claras, frescas e doces”.
Dois sátiros, uma fêmea que aparece atrás de uma árvore à esquerda, e um macho reclinado examinando uma jarra de vidro à direita, em primeiro plano, perto de um lago, representam respectivamente as tentações do amor carnal e da embriaguez, que são ignoradas pela donzela. A originalidade desses elementos e a liberdade compositiva demonstram a inventividade e a ironia típicas do artista Lotto.
A pintura demonstra que seu autor estava familiarizado com o tema da vigília durante o sono, um lema sobre a auto-observação psicológica e alquímica.
O que realmente envolve esta bela obra de arte?
Na donzela reclinada no tronco de um loureiro, podemos apreciar o símbolo da alma — revestida de corpo humano — permanecendo indiferente aos desejos do Ego animal que causou a famosa queda dos anjos milhões de anos atrás.
Esse ato transformou os habitantes da Lemúria em sátiros luxuriosos que, desgraçadamente, por tal ato perderam a purificação que possuíam originalmente e desde então, já caídos em desgraça, a Lei de Retorno e Recorrência os mantém presos na famosa Roda do Samsara da teogonia hindu. Através dos ensinamentos gnósticos, é possível retomar esse estado interior angélico com a aplicação dos três fatores da Revolução da Consciência, a saber: morte do Eu, nascimento segundo — termo alquimista — e sacrifício pela humanidade.
Nada tem a ver com a abstinência católica que tantos transtornos produziu para o gênero humano. Trata-se de uma sexualidade sagrada praticada pelas massas humanas justamente antes da rebelião angélica citada pelos credos religiosos do nosso mundo, hoje bastante distantes da dura realidade que aconteceu sobre nossa raça.
Os textos antigos e sagrados enfatizam que, certamente, naqueles tempos remotos, as pessoas luciferinas vagavam por muitos lugares tentando convencer as outras pessoas sobre o quão maravilhosa era a fornicação; toda uma abominação, sem dúvida.
Outro detalhe muito curioso é aquele que nos permite ver o sátiro masculino derramando água do jarro ou vaso hermético — símbolo do yoni feminino — para enriquecer sua própria luxúria. Isso nos permite intuir que o artista conhecia o ars transmutatório das águas genésicas, o que permite à criatura humana sua própria regeneração total.
O anjinho que deixa cair uma cachoeira de pequenas flores brancas alegoriza, neste caso, a proteção da qual desfrutam as almas regeneradas, e por isso é o mesmo Cupido quem as mantém protegidas com seu verdadeiro amor… Certamente o AMOR CONSCIENTE é um escudo protetor para enfrentar o mundo mayavico-ilusório que mantém alienadas as mentes do nosso formigueiro humano.
Observe que os membros inferiores de ambos os sátiros são semelhantes aos do bode, justamente devido à animalidade na qual ficaram presos.
Não esqueçamos, por outro lado, que o loureiro tem qualidades mágicas maravilhosas, e o fato da donzela do nosso óleo estar deitada em seu tronco nos indica que ela está associada a tal magia por ainda ter sua natureza anímica livre da mácula do pecado.
Eu trago agora algumas frases que estão em concordância com este tema apresentado esta pintura, vejamos:
“Se a castidade não é uma virtude é, no entanto, certamente uma força.”
Jules Renard
“A abundância do amor produz o tesouro da castidade.”
Rabindranath Tagore
“A consciência é a voz da alma; as paixões, a do corpo. A consciência tem mais de mil línguas.”
Shakespeare
“Nunca houve uma mulher bonita que não tenha feito ensaios diante do espelho.”
Shakespeare
“O primeiro beijo, saiba disso, não é dado com a boca, mas com os olhos.”
Paul Bernard
MEMENTO MORI.
─”Recorda que um dia morrerás”─
KWEN KHAN KHU