Estimados leitores/as:
Me compraz enviar-lhes, nesta oportunidade, o presente gravado intitulado…
…MUTUA RERUM METAMORPHOSIS ─‘Metamorfose mútua das coias’─
Para começar nossa explicação, devemos dizer-lhes que esta gravura é o número 17 do livro Emblematum sacrorum et civilium miscellaneorum, ‘Diversos emblemas sagrados e civis’. O livro foi escrito por Jacob Bornitz, conhecido em alemão como Jakob ─1560-1625─, um escritor, jurista e diplomata da Silésia austríaca dos séculos XVI e XVII.

DESCRIÇÃO:
Ignis aquae vires, vice mira, aqua concipit ignis: Mutua naturae semina quaeque gerunt.
Tradução: ‘O fogo e a água têm poderes, em um giro maravilhoso, a água concebe ao fogo: Cada um leva as sementes da natureza mútua’.
O que isto significa, queridos amigos?
No mundo das transmutações, todos nós sabemos a respeito das diversas potencialidades que os quatro elementos da natureza possuem, a saber: a água, o fogo, o ar e a terra. Está escrito que no início da criação estes elementos foram mesclados inteligentemente pela bendita MULAPRAKRITI ─ Divina Mãe Cósmica ─ para começar a dar forma às unidades planetárias que hoje conformam nosso Sistema Solar.
No centro de nosso gravado, o artista, seguro conhecedor destes fenômenos metafísicos, nos mostra um personagem que com sua mão direita, tendo nela uma jarra, derrama o elemento líquido sobre uma espécie de prato do qual brotam umas chamas. Este gravado está nos dizendo o que afirmaram e seguem afirmando os verdadeiros Mestres da arte hermética: «Na água dorme o fogo»…
De maneira análoga, quando nos referimos ao trabalho alquímico particular que devemos por em marcha em nossa estrutura ou anatomia, todos devemos compreender que em nossas águas genesíacas ou seminais se encontra latente o Fogo Secreto que nossa Divina Mãe Kundalini porá em marcha quando essas águas tenham sofrido suas metamorfoses.
Dizemos, gnosticamente falando, que as águas mercuriais no princípio são de cor negra, posteriormente se tornarão brancas, mais tarde se tornarão amarelas e, finalmente, resplandecerão com a cor avermelhada. Quando isto ocorre no laboratorium oratorium de nosso corpo físico, será porque Stella Maris ─ nossa Virgem Mãe interior ─ as terá fecundado com a força do Espírito Santo e, em consequência, teremos despertado o Fogo Sagrado. Tal fogo deverá ascender por entre as vértebras de nossa coluna vertebral e, de este modo, iremos adentrando nas diversas iniciações que iremos vivendo ao longo de nossa jornada hermética. É a virtude emblemática de nossas águas lustrais e, por isso, está terrivelmente vetado ao ser humano praticar a FORNICAÇÃO ou perda de seu fluido seminal.
O que a Gnose manteve guardado durante séculos, como uma chave de todos os esplendores é, justamente, o SAGRADO ARCANO A.Z.F., que em suas criptografadas siglas quer nos dizer:
- A: ÁGUA.
- Z: ENXOFRE.
- F: FOHAT LUMINOSO.
Essa é a virtude assombrosa que o elemento ÁGUA encerra, e, por tal razão, o personagem de nosso gravado verte água sobre um prato alegórico. Habitualmente, qualquer pessoa comum e corrente diria que a água que brota da jarra apagaria o fogo que vemos no prato. Entretanto, essa é a metamorfose da qual o autor quer nos falar neste gravado. Trata-se de uma transformação secreta que pode suscitar se conhecermos as regras da ARTE HERMÉTICA. Essa é a mutação dos elementos no interior de nossa fisiologia, realizada com especial cuidado para que, mediante uma sublimação, obtenhamos, com paciência e perseverança, o Velocino de Ouro ou a PEDRA FILOSOFAL.
Acrescento para o nosso amável leitor algumas palavras do sábio autor FULCANELLI, grande Mestre da Branca Irmandade, vejamos:
Agora sei verdadeiramente! Palavra de gozo vivo, súbito de íntima satisfação, grito de alegria que o Adepto profere ante a certeza do prodígio. Até esse momento, a dúvida ainda podia assaltar-lhe, mas na presença da realização perfeita e tangível, já não teme errar.
Descobriu o caminho, reconheceu a verdade, herdou o Donum Dei. A partir de agora, nada do grande segredo é ignorado por ele… Mas, ai! Quantos, entre a multidão dos que buscam, podem se vangloriar de chegar à meta e de ver, com seus próprios olhos, abrir-se a prisão, fechada para sempre para a maioria!
A prisão também serve de emblema do corpo imperfeito, tema inicial da Obra, na qual a alma aquosa e metálica se encontra fortemente apegada e retida. «Esta água prisioneira ─ diz Nicolas Valois ─ grita sem cessar: Ajuda-me e eu te ajudarei, ou seja, liberta-me da minha prisão, e se puderes fazer-me sair uma vez, eu te converterei em dono da fortaleza onde me encontro. A água, pois, que se encontra encerrada neste corpo, é da mesma natureza da água que damos para beber e que se chama Mercúrio Trismegisto, da qual fala Parmênides quando diz: Natureza se regozija na Natureza, Natureza supera a Natureza e Natureza contém a Natureza. Pois esta água encerrada se regozija com seu companheiro que vem libertá-la de seus ferros, se mescla com ele e, por fim, convertendo essa prisão em sua e rechaçando o que lhes é contrário, que é a preparação, convertem-se em água mercurial e permanente… Legitimamente, pois, nossa água divina é chamada a chave, luz, Diana que clareia a escuridão da noite. Pois é a entrada de toda a Obra e a que ilumina todo homem».
Vos ofereço agora algumas frases para a vossa reflexão:
«A Natureza é tão benigna que ordena as coisas de maneira que, em qualquer parte do mundo, você encontrará algo similar». Leonardo da Vinci
«Na natureza não há nada supérfluo».
Averroes
«Sinto em meu espírito de poeta a saudação amável da terra, a generosidade da Natureza».
Rubén Darío
«Os dons da Natureza valem mais que os da Arte».
Voltaire
«A Natureza sempre tem mais força que a educação».
Voltaire
NUDA VERITAS.
─‘A verdade nua’ ’─
KWEN KHAN KHU