{"id":43868,"date":"2026-03-22T23:36:18","date_gmt":"2026-03-23T02:36:18","guid":{"rendered":"https:\/\/vopus.org\/?p=43868"},"modified":"2026-03-23T19:37:59","modified_gmt":"2026-03-23T22:37:59","slug":"o-mundo-delirante-nao-sabe-que-ha-deuses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/o-mundo-delirante-nao-sabe-que-ha-deuses\/","title":{"rendered":"&#8220;Mvndvs delirans, non sapit, qvae dei svnt&#8221; (O mundo delirante n\u00e3o sabe que h\u00e1 Deuses)"},"content":{"rendered":"\n<p>Estimados\/as leitores\/as:<\/p>\n\n<p>Envio-lhes, nesta oportunidade, um emblema \u2500gravura\u2500, o N\u00ba 45, de um livro intitulado <em><strong>Veridicus cristianus,<\/strong><\/em> &#8220;verdadeiro crist\u00e3o&#8221;, o primeiro livro de emblemas jesu\u00edtas, escrito por Jan David \u25001545-1613\u2500 e publicado pela primeira vez na Antu\u00e9rpia em 1601 por Jan Moretus \u25001543-1610\u2500.<\/p>\n\n<p>O t\u00edtulo desta gravura vem a ser&#8230;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>\u2026MVNDVS DELIRANS, NON SAPIT, QVAE DEI SVNT<\/em><br \/>\u2500&#8221;O mundo delirante n\u00e3o sabe que h\u00e1 Deuses&#8221;\u2500<\/h2>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"1689\" src=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/veridicus-p45-960x1689.jpg\" alt=\"Mvndvs delirans, non sapit, qvae dei svnt, Jan David, (1545-1613)\" class=\"wp-image-37085\" style=\"width:400px\" title=\"Mvndvs delirans, non sapit, qvae dei svnt, Jan David, (1545-1613)\" srcset=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/veridicus-p45-960x1689.jpg 960w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/veridicus-p45-480x844.jpg 480w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/veridicus-p45-768x1351.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure><\/div>\n<p>Ao p\u00e9 desta gravura, temos a seguinte frase em latim:<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00abAt nonne hos Mvndvs, mera ceu ludibria, spernit?<\/p>\n\n\n\n<p>Delirat: nec vera videt: nec iudicata aequa\u00bb.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n<p>\u2018<strong>E n\u00e3o \u00e9 verdade que o mundo os rejeita como meras zombarias?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Delira: nem v\u00ea a verdade, nem julga com justi\u00e7a\u2019.<\/strong><\/p>\n\n<p>O coment\u00e1rio de alguns pesquisadores nos diz:<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00abPublicado como ferramenta de devo\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o, conta com cem cap\u00edtulos que abrangem uma ampla gama de temas de reflex\u00e3o. Cada cap\u00edtulo se centra em um emblema que consiste em tr\u00eas partes: <strong>lema, imagem e epigramas<\/strong> \u2500em latim, holand\u00eas e franc\u00eas\u2500, e incorpora um extenso coment\u00e1rio que interpreta a imagem emblem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O emblema 45 faz parte de uma extensa an\u00e1lise sobre as Oito Bem-aventuran\u00e7as na qual o protagonista principal \u00e9 a figura central etiquetada &#8220;A&#8221; de Mundus \u2500o Mundo\u2500. O epigrama se concentra nas a\u00e7\u00f5es e na atitude de Mundus.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Texto em franc\u00eas:<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00abToutefois la race, Du mondain rechasse, Et hait ceste voix.<\/p>\n\n\n\n<p>Le Monde radotte, Et son humeur sotte, N&#8217;entend pas ces loix\u00bb.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;No entanto, a ra\u00e7a rejeita o mundano e odeia esta voz. O mundo continua tagarelando e seu humor tolo n\u00e3o entende estas leis&#8221;.<\/p>\n\n<p>Adentrando j\u00e1 na gravura de nosso estudo, diremos que as coisas que Mundus despreza s\u00e3o os instrumentos eucar\u00edsticos \u2500livro e c\u00e1lice\u2500 e <em>arma Christi<\/em>, ou os instrumentos da paix\u00e3o \u2500flagelo, chicote e cruz\u2500, que aparecem etiquetados como \u00abB\u00bb no prato esquerdo da balan\u00e7a.<\/p>\n\n<p>O Mundo n\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de agarrar nenhum desses instrumentos, como mostra de maneira evidente seu gesto com a m\u00e3o direita aberta. Enquanto que, com a m\u00e3o esquerda empurra para baixo o recipiente da direita, assinalando sua prefer\u00eancia por seu conte\u00fado \u00abpesado\u00bb: coroa, cetro, c\u00e1lice, dado, moedas e bolsa de dinheiro, rotulados com \u00abD\u00bb. O dem\u00f4nio cobi\u00e7oso que emerge da boca do inferno para apoderar-se destes objetos, ecoa o gesto de Mundus para alcan\u00e7ar e agarrar as coisas mundanas.<\/p>\n\n<p>Torna-se interessante o fato da figura central desta gravura, pois trata-se nada mais nada menos do que a representa\u00e7\u00e3o da <strong>humanidade adormecida<\/strong>. A palavra <em><strong>persona em latim<\/strong><\/em> se traduz como &#8220;<em><strong>m\u00e1scara&#8221;<\/strong><\/em>, e, efetivamente, nossa persona e nossa personalidade s\u00e3o uma m\u00e1scara egoica, algo que n\u00e3o tem realidade transcendente, ou seja, aus\u00eancia do SER.<\/p>\n\n<p>Sobre essa figura central podemos observar facilmente um personagem que se veste \u00e0 maneira dos <strong>palha\u00e7os<\/strong>. E, curiosamente, \u00e9 ele quem sustenta a balan\u00e7a com seus dois pratos, que por sua vez cont\u00eam os instrumentos egoicos e os outros eucar\u00edsticos. Este personagem \u00e9, sem d\u00favida alguma, o EGO PLURALIZADO, o MIM MESMO que toda pessoa carrega dentro de si e que constitui a desgra\u00e7a que n\u00e3o nos permite ter <strong>individualidade sagrada<\/strong>. Por causa disso, somos simplesmente um amontoado de dez mil agregados psicol\u00f3gicos muito desagrad\u00e1veis que nos mant\u00eam aturdidos com a sabotagem que provocam em nosso psiquismo. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual dito personagem est\u00e1 colocado na cabe\u00e7a da figura que chamamos Mundus.<\/p>\n\n<p>Na parte inferior e \u00e0 esquerda da nossa gravura, devemos destacar a cena que nos mostra o Anjo Gabriel naqueles momentos nos quais as Sagradas Escrituras nos falam da <strong>visitac\u0327a\u0303o<\/strong>. Ou seja, quando <strong>Maria \u2500 a Divina M\u00e3e<\/strong> \u2500 \u00e9 visitada pela entidade ang\u00e9lica para anunciar-lhe que seria a m\u00e3e do Messias \u2500 leia-se: Jesus \u2500. Obviamente, esta \u00e9 uma alus\u00e3o ao drama que todos os gn\u00f3sticos aspiramos viver em nossas entranhas, ou seja, o advento do <strong>menino Cristo<\/strong> no ventre de nossa bendita <strong>Stella Maris \u2500 Devi-Kundalini indost\u00e2nica \u2500. Isto est\u00e1 assinalado com a letra \u00abE\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m aterrador que Mundus \u2500o mundo, a humanidade\u2500 se incline mais, ou aprecie mais, as coisas que constituem a <strong>fantasia egoica<\/strong> \u2500cetros, coroas, dinheiros, ta\u00e7as, bolsas, dados, etc., etc., etc.\u2500, em vez de desejar aproximar-nos do <strong>mundo cr\u00edstico<\/strong>. E tal como vemos em nossa gravura, todas as coisas que constituem nossa mundanidade s\u00e3o atra\u00eddas por nosso pr\u00f3prio satan interior, pois ele vive disso, para isso, nisso e por isso; em outras palavras: <strong>para conformar seu reino no <em>t\u00e1rtaro<\/em> da involu\u00e7\u00e3o.<\/strong> \u00c9 por isso que a representa\u00e7\u00e3o do inferno \u00e9 uma boca enorme aberta, preparada para devorar as almas adormecidas, como bem nos indica <strong>a Gnose<\/strong>.<\/p>\n\n<p>No parte superior esquerda vemos ent\u00e3o <strong>Maria \u2500Devi-Kundalini<\/strong>\u2500 flutuando e flanqueada por quatro anjos da guarda. \u00c9 ineg\u00e1vel que o <strong>Eterno Feminino divinal<\/strong> tem em seu entorno as for\u00e7as ang\u00e9licas, pois Ela \u00e9, justamente, a M\u00e3e de todos os Adeptos que alcan\u00e7aram esse estado divinal. <strong>Natura atrai natura<\/strong>, nos diz a Alquimia; ou seja, as coisas se atraem segundo sua pr\u00f3pria natureza; o divino atrai o divino, o mal\u00e9fico atrai o infernal, essa \u00e9 a lei.<\/p>\n\n<p>Entre os instrumentos cr\u00edsticos devemos ressaltar alguns detalhes do ponto de vista gn\u00f3stico:<\/p>\n\n<ol class=\"wp-block-list\" style=\"list-style-type:lower-alpha\">\n<li>O c\u00e1lice ou santo yoni que nunca falta na vida dos Adeptos autorrealizados.<\/li>\n\n\n\n<li>O l\u00e1tego, instrumento que alegoriza os padecimentos volunt\u00e1rios e sacrif\u00edcios conscientes.<\/li>\n\n\n\n<li>A cruz, que representa, n\u00e3o s\u00f3 a terr\u00edvel <strong>crucifica\u00e7\u00e3o<\/strong> pr\u00f3pria dos mist\u00e9rios da Segunda Montanha inici\u00e1tica, mas tamb\u00e9m o sagrado cruzamento do lingam-yoni dos mist\u00e9rios t\u00e2ntricos; a chave que, justamente, nos leva at\u00e9 os degraus dos estados cr\u00edsticos.<\/li>\n\n\n\n<li>A B\u00edblia aberta, que alegoriza o fato de estarmos nos nutrindo constantemente com a doutrina da regenera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n<p>Por outro lado, na parte superior direita de nossa ilustra\u00e7\u00e3o, observamos alguns anjos ou Adeptos da Luz expulsando entidades demon\u00edacas para o abismo. Dois desses anjos levam escudos \u2500alegoria da prud\u00eancia\u2500 e espadas flam\u00edgeras, e um terceiro leva consigo uma cruz que tem ponta de lan\u00e7a, com a qual tamb\u00e9m expulsa as entidades demon\u00edacas para as infradimens\u00f5es da natureza \u2500leia-se: os infernos\u2500. Isso est\u00e1 assinalado com a letra \u00abF\u00bb.<\/p>\n\n<p>Fa\u00e7o chegar-lhes agora algumas frases que merecem ser refletidas:<\/p>\n\n<p><em><strong>\u00abA eternidade rompe toda medida e destr\u00f3i toda compara\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Pierre Nicole<\/p>\n\n<p><em><strong>\u00abAferre-se ao presente. Cada situa\u00e7\u00e3o, cada momento, tem um valor infinito porque representa toda uma eternidade\u00bb.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/strong>Goethe<\/em><\/p>\n\n<p><em><strong>\u00abEternidade: um dia sem ontem nem amanh\u00e3\u00bb<\/strong><\/em>. Massilon<\/p>\n\n<p><em><strong>\u00abA maioria dos homens que n\u00e3o sabem o que fazer com esta vida quer outra que nunca termine\u00bb<\/strong><strong>.<\/strong><\/em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Anatole France<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>PERFER ET OBDURA.<\/em><\/strong><br \/>\u2500&#8221;Suporta e resiste&#8221;\u2500.<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>KWEN KHAN KHU<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A humanidade adormecida, que n\u00e3o tem individualidade sagrada, aprecia mais as coisas que constituem a fantasia egoica em vez de ansiar nos aproximar do mundo cr\u00edstico.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":37105,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[480,214,468],"tags":[1029,1496],"contenido":[274],"fuente":[49],"pilar":[],"fase":[],"conferencia":[],"read_online":[],"author_tax":[325],"class_list":["post-43868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-simbolos-universais","category-misticismo-pt-br","category-mensagens-vm-kwen-khan-khu","tag-mensagens-do-v-m-kwen-khan-khu","tag-simbolos","contenido-artigos","fuente-maestro","author_tax-v-m-kwen-khan-khu-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43868"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44069,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43868\/revisions\/44069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43868"},{"taxonomy":"contenido","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/contenido?post=43868"},{"taxonomy":"fuente","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fuente?post=43868"},{"taxonomy":"pilar","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/pilar?post=43868"},{"taxonomy":"fase","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fase?post=43868"},{"taxonomy":"conferencia","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/conferencia?post=43868"},{"taxonomy":"read_online","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/read_online?post=43868"},{"taxonomy":"author_tax","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/author_tax?post=43868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}