{"id":43467,"date":"2026-01-27T10:00:39","date_gmt":"2026-01-27T13:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/vopus.org\/?p=43467"},"modified":"2026-01-27T10:00:48","modified_gmt":"2026-01-27T13:00:48","slug":"alegoria-da-castidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/alegoria-da-castidade\/","title":{"rendered":"Alegoria da castidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Amados leitores:<\/p>\n\n<p>Estou feliz em enviar-lhes este \u00f3leo de um artista chamado Lorenzo Lotto, dos tempos de 1505. Esta obra est\u00e1 preservada na Galeria Nacional de Arte de Washington.<\/p>\n\n<p>O t\u00edtulo desta obra de arte \u00e9&#8230;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">&#8230;ALEGORIA DA CASTIDADE<br \/>ALEGORIA DO SONO VIGILANTE DA ALMA<\/h2>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"611\" src=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-480x611.jpg\" alt=\"Alegoria da castidade, Lorenzo Lotto\" class=\"wp-image-37771\" srcset=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-480x611.jpg 480w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-768x977.jpg 768w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-385x490.jpg 385w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-242x308.jpg 242w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto-165x210.jpg 165w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alegoria-de-la-castidad-lorenzo-lotto.jpg 939w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure><\/div>\n<p>Vamos come\u00e7ar observando uma vasta paisagem arborizada que serve de pano de fundo para a cena, com o brilho do p\u00f4r do Sol.<\/p>\n\n<p>No centro, banhada por uma luz misteriosa, vemos uma mulher jovem descal\u00e7a vestida com uma t\u00fanica branca que combina com um manto dourado, reclinada suavemente sobre um tronco de loureiro com dois brotos, tudo isso nos recorda a figura mitol\u00f3gica de Dafne e sua exist\u00eancia ef\u00eamera. Ela est\u00e1 em harmonia com uma sensa\u00e7\u00e3o de quietude, um estado suspenso de vis\u00e3o purificadora, muito distante do abandono inconsciente do sono. Acima da jovem, um querubim derrama uma cascata de flores brancas sobre ela, talvez uma alus\u00e3o ao poema de Petrarca: <strong><em>&#8220;Chiare, fresche et dolci acque&#8221;<\/em><\/strong>, &#8220;\u00c1guas claras, frescas e doces&#8221;.<\/p>\n\n<p>Dois s\u00e1tiros, uma f\u00eamea que aparece atr\u00e1s de uma \u00e1rvore \u00e0 esquerda, e um macho reclinado examinando uma jarra de vidro \u00e0 direita, em primeiro plano, perto de um lago, representam respectivamente as tenta\u00e7\u00f5es do amor carnal e da embriaguez, que s\u00e3o ignoradas pela donzela. A originalidade desses elementos e a liberdade compositiva demonstram a inventividade e a ironia t\u00edpicas do artista Lotto.<\/p>\n\n<p>A pintura demonstra que seu autor estava familiarizado com o tema da vig\u00edlia durante o sono, um lema sobre a auto-observa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e alqu\u00edmica.<\/p>\n\n<p>O que realmente envolve esta bela obra de arte?<\/p>\n\n<p>Na donzela reclinada no tronco de um loureiro, podemos apreciar o s\u00edmbolo da alma \u2014 revestida de corpo humano \u2014 permanecendo indiferente aos desejos do Ego animal que causou a famosa <strong>queda dos anjos<\/strong> milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n<p>Esse ato transformou os <strong>habitantes da Lem\u00faria<\/strong> em s\u00e1tiros luxuriosos que, desgra\u00e7adamente, por tal ato perderam a purifica\u00e7\u00e3o que possu\u00edam originalmente e desde ent\u00e3o, j\u00e1 ca\u00eddos em desgra\u00e7a, a Lei de Retorno e Recorr\u00eancia os mant\u00e9m presos na famosa <strong>Roda do Samsara<\/strong> da teogonia hindu. Atrav\u00e9s dos ensinamentos gn\u00f3sticos, \u00e9 poss\u00edvel retomar esse estado interior ang\u00e9lico com a aplica\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas fatores da Revolu\u00e7\u00e3o da Consci\u00eancia, a saber: morte do Eu, nascimento segundo \u2014 termo alquimista \u2014 e sacrif\u00edcio pela humanidade.<\/p>\n\n<p>Nada tem a ver com a abstin\u00eancia cat\u00f3lica que tantos transtornos produziu para o g\u00eanero humano. Trata-se de uma sexualidade sagrada praticada pelas massas humanas justamente antes da rebeli\u00e3o ang\u00e9lica citada pelos credos religiosos do nosso mundo, hoje bastante distantes da dura realidade que aconteceu sobre nossa ra\u00e7a.<\/p>\n\n<p>Os textos antigos e sagrados enfatizam que, certamente, naqueles tempos remotos, as <strong>pessoas luciferinas<\/strong> vagavam por muitos lugares tentando convencer as outras pessoas sobre o qu\u00e3o maravilhosa era <strong>a fornica\u00e7\u00e3o<\/strong>; toda uma abomina\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida.<\/p>\n\n<p>Outro detalhe muito curioso \u00e9 aquele que nos permite ver o s\u00e1tiro masculino derramando \u00e1gua do jarro ou vaso herm\u00e9tico \u2014 s\u00edmbolo do yoni feminino \u2014 para enriquecer sua pr\u00f3pria lux\u00faria. Isso nos permite intuir que o artista conhecia o<strong><em> ars<\/em><\/strong> <strong>transmutat\u00f3rio<\/strong> das \u00e1guas gen\u00e9sicas, o que permite \u00e0 criatura humana sua pr\u00f3pria regenera\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n\n<p>O anjinho que deixa cair uma cachoeira de pequenas flores brancas alegoriza, neste caso, a prote\u00e7\u00e3o da qual desfrutam as almas regeneradas, e por isso \u00e9 o mesmo <strong>Cupido<\/strong> quem as mant\u00e9m protegidas com seu <strong>verdadeiro amor<\/strong>&#8230; Certamente o AMOR CONSCIENTE \u00e9 um escudo protetor para enfrentar o mundo mayavico-ilus\u00f3rio que mant\u00e9m alienadas as mentes do nosso formigueiro humano.<\/p>\n\n<p>Observe que os membros inferiores de ambos os s\u00e1tiros s\u00e3o semelhantes aos do <strong>bode<\/strong>, justamente devido \u00e0 animalidade na qual ficaram presos.<\/p>\n\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos, por outro lado, que o loureiro tem qualidades m\u00e1gicas maravilhosas, e o fato da donzela do nosso \u00f3leo estar deitada em seu tronco nos indica que ela est\u00e1 associada a tal magia por ainda ter sua natureza an\u00edmica livre da m\u00e1cula do pecado.<\/p>\n\n<p>Eu trago agora algumas frases que est\u00e3o em concord\u00e2ncia com este tema apresentado esta pintura, vejamos:<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;Se a castidade n\u00e3o \u00e9 uma virtude \u00e9, no entanto, certamente uma for\u00e7a.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Jules Renard<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;A abund\u00e2ncia do amor produz o tesouro da castidade.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Rabindranath Tagore<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;A consci\u00eancia \u00e9 a voz da alma; as paix\u00f5es, a do corpo. A consci\u00eancia tem mais de mil l\u00ednguas.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Shakespeare<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;Nunca houve uma mulher bonita que n\u00e3o tenha feito ensaios diante do espelho.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Shakespeare<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;O primeiro beijo, saiba disso, n\u00e3o \u00e9 dado com a boca, mas com os olhos.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Paul Bernard<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>MEMENTO MORI.<\/em><\/strong><br \/>\u2500&#8221;Recorda que um dia morrer\u00e1s&#8221;\u2500<\/p>\n\n<p><strong>KWEN KHAN KHU<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou feliz em enviar-lhes este \u00f3leo de um artista chamado Lorenzo Lotto, dos tempos de 1505. Esta obra est\u00e1 preservada na Galeria Nacional de Arte de Washington.<br \/>\nO t\u00edtulo desta obra art\u00edstica \u00e9 Alegoria da castidade ou Alegoria do sono vigilante da alma. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":37794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1550,480,164,468],"tags":[1496,1551,1552,1553],"contenido":[274],"fuente":[],"pilar":[],"fase":[],"conferencia":[],"read_online":[],"author_tax":[325],"class_list":["post-43467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mitologia","category-simbolos-universais","category-alquimia-pt-br","category-mensagens-vm-kwen-khan-khu","tag-simbolos","tag-castidade","tag-fornicacao","tag-cupido","contenido-artigos","author_tax-v-m-kwen-khan-khu-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43467"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43467\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43525,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43467\/revisions\/43525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43467"},{"taxonomy":"contenido","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/contenido?post=43467"},{"taxonomy":"fuente","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fuente?post=43467"},{"taxonomy":"pilar","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/pilar?post=43467"},{"taxonomy":"fase","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fase?post=43467"},{"taxonomy":"conferencia","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/conferencia?post=43467"},{"taxonomy":"read_online","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/read_online?post=43467"},{"taxonomy":"author_tax","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/author_tax?post=43467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}