{"id":42917,"date":"2025-12-08T09:24:39","date_gmt":"2025-12-08T12:24:39","guid":{"rendered":"https:\/\/vopus.org\/?p=42917"},"modified":"2025-12-08T09:24:42","modified_gmt":"2025-12-08T12:24:42","slug":"o-temor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/o-temor\/","title":{"rendered":"&#8220;Timiditas&#8221; (O temor)"},"content":{"rendered":"\n<p>Queridos amigos e amigas leitores\/as:<\/p>\n\n<p>Estamos enviando a gravura que leva por t\u00edtulo:<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong><em>\u2026TIMIDITAS<\/em><\/strong><br \/>\u2500 &#8220;O temor&#8221; \u2500<\/h2>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"403\" src=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/timiditas-raphael-sadeler-maarten-de-vos-1-480x403.jpg\" alt=\"&quot;Timiditas&quot;, O temor\" class=\"wp-image-42885\" title=\"&quot;Timiditas&quot;, O temor, Raphael Sadeler y Maarten de Vos\" srcset=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/timiditas-raphael-sadeler-maarten-de-vos-1-480x403.jpg 480w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/timiditas-raphael-sadeler-maarten-de-vos-1-960x806.jpg 960w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/timiditas-raphael-sadeler-maarten-de-vos-1-768x644.jpg 768w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/timiditas-raphael-sadeler-maarten-de-vos-1.jpg 1297w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure><\/div>\n<p>Faz parte de uma s\u00e9rie editada por Raphael Sadeler, 1560-1628, segundo o desenho de Maarten de Vos.<\/p>\n\n<p>Os dicion\u00e1rios explicam que a palavra <em>TIMIDUS<\/em> deriva do latim <strong><em>timeo<\/em><\/strong>, &#8220;temer&#8221;, e <em><strong>t\u0101s<\/strong><\/em>, que indica uma qualidade; portanto, <em>TIMIDITAS<\/em> significaria &#8220;ser medroso, temeroso&#8221;.<\/p>\n\n<p>O tema da nossa gravura, como em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 feminino, pois a gravura representa uma mulher.<\/p>\n\n<p>Frase em latim:<\/p>\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><em>Sub dumis latitans, macie confecta senesco,<\/em><br \/><em>Exsangues languent venae, est cor pectoris expers,<\/em><br \/><em>Ossa tremunt, omnique pauens impellor ab aura:<\/em><br \/><em>Friget flamma animi, nec se ratio exerit usquam,<\/em><br \/><em>Hinc me Terror agit pauidam Pudor inde retundit,<\/em><br \/><em>Et lente adrepens, ferroque innixa lacertos<\/em><br \/><em>Segnities, quae non dubiae mihi somnia fingit?<\/em><br \/><em>Donec Pauperies rerum obruat omnium egentem.<\/em><\/pre>\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;Escondida sob os arbustos, consumida pela magreza, envelhe\u00e7o, minhas veias sem sangue definham, meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 sem \u00e2nimo, meus ossos tremem, assustada por tudo, at\u00e9 a brisa me faz estremecer: a chama da minha alma esfria e a raz\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em nenhum lugar. Por isso, o <strong>terror<\/strong> me guia em p\u00e2nico. Ent\u00e3o o <strong>pudor<\/strong> me refreia e, rastejando lentamente, apoiando meus bra\u00e7os no ferro, a <strong>indol\u00eancia<\/strong>, que fantasias n\u00e3o inventam para mim, que sou duvidosa? At\u00e9 que a <strong>pobreza<\/strong> me oprima, tornando-me necessitada de todas as coisas.<\/p>\n\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n<p>Observando esta gravura, querido\/a leitor\/a, podemos contemplar quatro imagens de personagens que marcamos em negrito.<\/p>\n\n<p>Em primeiro lugar, a figura central \u00e9 uma senhora idosa vestida com roupas muito pobres. O <strong>terror<\/strong> \u00e9 representado pelas duas mulheres \u00e0 esquerda, que est\u00e3o fugindo; o <strong>pudor<\/strong>, pelas pessoas mais ao fundo, que parecem completamente cobertas porque provavelmente est\u00e3o rezando. As mulheres \u00e0 direita representam a<strong> indol\u00eancia<\/strong>. Uma est\u00e1 algemada; a outra caminha apoiada em uma barra de ferro, que na verdade n\u00e3o \u00e9 uma bengala, mas uma espada que ela usa como tal. Ao fundo, perto de uma igreja, algumas pessoas pobres pedem comida. Elas representam a <strong>pobreza<\/strong>.<\/p>\n\n<p>O que s\u00e3o todas essas coisas, companheiros\/as?<\/p>\n\n<p>Primeiramente, \u00e9 importante destacar que, na parte central desta gravura, vemos uma anci\u00e3 com roupas esfarrapadas. Isso representa a natureza humana quando prisioneira do AGREGADO psicol\u00f3gico do MEDO ou do TEMOR.<\/p>\n\n<p>Esta anci\u00e3 est\u00e1 cercada por alguns animais, a saber: uma coruja, um corvo, uma lebre, um ouri\u00e7o e uma salamandra.<\/p>\n\n<p>A coruja simboliza a AUTO-OBSERVA\u00c7\u00c3O, e o corvo nos convida \u00e0 morte interior, \u00e0 morte de nossas fraquezas&#8230;<\/p>\n\n<p>O ouri\u00e7o representa nossos estados repulsivos e medrosos que, infelizmente, nos acompanham em nossa vida cotidiana.<\/p>\n\n<p>A salamandra nos mostra nossos constantes medos que nos cercam e a lebre, obviamente, tamb\u00e9m representa uma forma de nossos medos.<\/p>\n\n<p>O EU do medo ou do TEMOR \u00e9 m\u00faltiplo em nosso psiquismo e est\u00e1 por tr\u00e1s de cada uma das nossas fraquezas. Vemos, por exemplo:<\/p>\n\n<p>O Eu da gula sempre come porque tem medo de que um dia poder\u00edamos ficar sem comida \u2500 suposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p>A lux\u00faria sempre procura saciar-se porque, segundo ela, n\u00e3o devemos perder oportunidades sexuais, e isso nos tornar\u00e1 indolentes e fracos diante dos outros.<\/p>\n\n<p>A ira sempre nos far\u00e1 acreditar que n\u00e3o devemos mostrar fraqueza diante de nossos semelhantes.<\/p>\n\n<p>O orgulho n\u00e3o quer ser deixado em segundo plano; ele sempre vai querer que mostremos nossas capacidades aos outros.<\/p>\n\n<p>A inveja nos far\u00e1 acreditar que devemos imitar os outros para garantir um lugar na sociedade.<\/p>\n\n<p>A cobi\u00e7a n\u00e3o tem limites e em todos os momentos est\u00e1 justificando necessidades que N\u00c3O EXISTEM.<\/p>\n\n<p>A pregui\u00e7a se faz sentir porque, segundo ela, precisamos descansar constantemente para conservar nossas energias, etc., etc., etc.<\/p>\n\n<p>Poder\u00edamos chegar \u00e0 seguinte conclus\u00e3o sobre os dois casais citados acima: o terror nos faz fugir, mas o pudor cont\u00e9m esse \u00edmpeto do medo, a indol\u00eancia limita na a\u00e7\u00e3o, mas tem que parar quando a pobreza, que \u00e9 consequ\u00eancia da mesma indol\u00eancia, obriga a agir.<\/p>\n\n<p>Acrescento algumas frases para reflex\u00e3o:<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;O medo est\u00e1 estampado no rosto.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Seneca<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;O medo \u00e9 um sentimento mais forte que o amor.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>Pl\u00ednio, o jovem<\/p>\n\n<p><strong><em>&#8220;O medo \u00e9 o mais ignorante, o mais injusto e o mais cruel dos conselheiros.&#8221;<\/em><\/strong><br \/>Edmund Burke<\/p>\n\n<p><strong><em>&#8220;O medo est\u00e1 sempre disposto a ver as coisas piores do que s\u00e3o.&#8221;<\/em><\/strong><br \/>Tito Livio<\/p>\n\n<p><em><strong>&#8220;Quem vive com medo nunca ser\u00e1 livre.&#8221;<\/strong><\/em><br \/>C\u00edcero<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>MISEREOR.<\/em><\/strong><br \/>\u2500 &#8220;Tenho compaix\u00e3o&#8221; \u2500<\/p>\n\n<p><strong>KWEN KHAN KHU<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder\u00edamos chegar \u00e0 seguinte conclus\u00e3o sobre os dois casais citados acima: o terror nos faz fugir, mas o pudor cont\u00e9m esse \u00edmpeto do medo, a indol\u00eancia limita na a\u00e7\u00e3o, mas tem que parar quando a pobreza, que \u00e9 consequ\u00eancia da mesma indol\u00eancia, obriga a agir.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":42866,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[480,134,468],"tags":[1029,1124,1381,1383,1384,1487],"contenido":[274],"fuente":[49],"pilar":[],"fase":[],"conferencia":[],"read_online":[],"author_tax":[325],"class_list":["post-42917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-simbolos-universais","category-psicologia-pt-br","category-mensagens-vm-kwen-khan-khu","tag-mensagens-do-v-m-kwen-khan-khu","tag-gravuras","tag-defeitos-psicologicos","tag-maarten-de-vos","tag-raphael-sadeler","tag-medo","contenido-artigos","fuente-maestro","author_tax-v-m-kwen-khan-khu-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42918,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42917\/revisions\/42918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42917"},{"taxonomy":"contenido","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/contenido?post=42917"},{"taxonomy":"fuente","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fuente?post=42917"},{"taxonomy":"pilar","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/pilar?post=42917"},{"taxonomy":"fase","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fase?post=42917"},{"taxonomy":"conferencia","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/conferencia?post=42917"},{"taxonomy":"read_online","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/read_online?post=42917"},{"taxonomy":"author_tax","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/author_tax?post=42917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}