{"id":42498,"date":"2025-10-25T11:39:24","date_gmt":"2025-10-25T14:39:24","guid":{"rendered":"https:\/\/vopus.org\/?p=42498"},"modified":"2025-11-04T10:52:18","modified_gmt":"2025-11-04T13:52:18","slug":"a-tristeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/a-tristeza\/","title":{"rendered":"&#8220;Tristitia&#8221; (A tristeza)"},"content":{"rendered":"\n<p>Queridos\/as leitores\/as:<\/p>\n\n\n\n<p>Estou enviando uma gravura com o nome&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong><em>\u2026TRISTITIA<\/em><\/strong><br>\u2500&#8221;A tristeza&#8221;\u2500<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"390\" src=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tristitia-raphael-sadeler-maarten-de-vos-los-rasgos-humanos-negativos-480x390.jpg\" alt=\"Tristitia, &quot;a tristeza&quot;, Os rasgos humanos negativos\" class=\"wp-image-42460\" title=\"Tristitia, &quot;a tristeza&quot;, Os rasgos humanos negativos, Raphael Sadeler y Maarten de Vos\" srcset=\"https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tristitia-raphael-sadeler-maarten-de-vos-los-rasgos-humanos-negativos-480x390.jpg 480w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tristitia-raphael-sadeler-maarten-de-vos-los-rasgos-humanos-negativos-960x781.jpg 960w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tristitia-raphael-sadeler-maarten-de-vos-los-rasgos-humanos-negativos-768x625.jpg 768w, https:\/\/vopus.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tristitia-raphael-sadeler-maarten-de-vos-los-rasgos-humanos-negativos.jpg 937w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Pertence a uma s\u00e9rie de quatro partes sobre os tra\u00e7os humanos negativos. A s\u00e9rie foi gravada e editada em 1592 na Col\u00f4nia, Alemanha, por Raphael Sadeler, 1560-1628, de acordo com o desenho do pintor flamengo Maarten de Vos, 1532-1603.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta gravura podemos ver em primeiro plano uma mulher jovem, semi-nua, com suas m\u00e3os levantadas \u2500 <strong><em>Tristitia,<\/em><\/strong> \u201ca tristeza\u201d. Ela est\u00e1 sentada em frente a uma cova. Ao seu redor est\u00e3o quatro animais: uma coruja, uma cobra, um rato e um c\u00e3o uivante. \u00c0 esquerda do plano central, uma mulher com cabe\u00e7a de serpente, uma medusa, devorando um cora\u00e7\u00e3o \u2500 <strong><em>Invidia<\/em><\/strong>, \u201ca inveja\u201d \u2500,<em>&nbsp;<\/em>e um personagem com uma asa de diabo e outra de anjo segurando uma cobra com ambas as m\u00e3os &nbsp;&nbsp;\u2500 <strong><em>Zelotypia<\/em><\/strong>, \u201co ci\u00fame\u201d. \u00c0 direita do plano central, uma mulher atravessada por uma lan\u00e7a \u2500 personifica\u00e7\u00e3o do desespero \u2500 e uma mulher rezando: a lamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, \u00e0 esquerda o cerco de uma cidade e um naufr\u00e1gio \u00e0 direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Queridos amigos, o que \u00e9 tudo isso?<\/p>\n\n\n\n<p>O artista quis nos mostrar onde nossas debilidades an\u00edmicas e psicol\u00f3gicas podem nos levar quando entramos na FASCINA\u00c7\u00c3O OU IDENTIFICA\u00c7\u00c3O com as impress\u00f5es que vamos recebendo ao longo de nossas vidas e no decorrer dos nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos ESQUECEMOS DE N\u00d3S MESMOS ca\u00edmos na desgra\u00e7a interior e nossos agregados aproveitam nossa ALUCINA\u00c7\u00c3O para se manifestarem de v\u00e1rias maneiras e nos levar \u00e0 nossa pr\u00f3pria confus\u00e3o e LOUCURA.<\/p>\n\n\n\n<p>A gravura nos mostra claramente nossa Ess\u00eancia, semi-nua por falta de valores, e cercada de algumas entidades animalescas, entre elas um rato \u2500 alegoria de estados luxuriosos \u2500, uma serpente \u2500 s\u00edmbolo de paix\u00f5es ocultas dentro de n\u00f3s mesmos \u2500, um c\u00e3o uivante que n\u00e3o representa \u00e0 fidelidade, neste caso, mas os uivos que provocam nossos medos e nossos instintos \u2500; finalmente, na parte superior central vemos uma coruja, animalzinho que nos convida a estar sempre em estado de alerta para n\u00e3o sermos v\u00edtimas das impress\u00f5es desagrad\u00e1veis que podem aparecer a qualquer momento da nossa exist\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 esquerda do plano central, como j\u00e1 comentamos antes, podemos apreciar uma <strong>medusa <\/strong>\u2500&nbsp;uma forma do nosso Ego animal <strong>\u2500 <\/strong>que caminha devorando um cora\u00e7\u00e3o. Certamente, quando estamos IDENTIFICADOS com os acontecimentos da vida cotidiana, muitos dos nossos agregados rapidamente tentam nos desmoralizar, como est\u00e1 fazendo essa medusa. O Eu destr\u00f3i nossos sentimentos e nos leva \u00e0 depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente nossa vida an\u00edmica se converte em uma dualidade bastante estranha. Por um lado parece que temos uma parte essencial ou divina \u2500 o homem com a asa ang\u00e9lica \u2500 e por outro esse mesmo homem representa um estado tenebroso \u2500 o mesmo homem com uma asa tenebrosa ou asa de morcego. Eis o EGO em sua pluralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 direita do plano central vemos claramente nossa pr\u00f3pria Ess\u00eancia transpassada por uma lan\u00e7a. Isso nos lembra daqueles momentos em que estamos cheios de uma profunda dor moral e procuramos consolo de alguma forma&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher que vemos rezando simboliza a <strong>lamenta\u00e7\u00e3o<\/strong> psicol\u00f3gica na qual entramos justamente quando buscamos um estado de calma interior atrav\u00e9s da <strong>ora\u00e7\u00e3o<\/strong> ou da <strong>medita\u00e7\u00e3o<\/strong>. Nunca devemos esquecer que, diante de toda crise que nos atinge, devemos nos refugiar rapidamente na MEDITA\u00c7\u00c3O. A INTERIORIZA\u00c7\u00c3O \u00e9 uma porta que se abre para buscar repouso \u00edntimo e autocontrole.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, a cidade que vemos sitiada \u00e9 nossa CIDADE PSICOL\u00d3GICA que acaba envolta em chamas egoicas com a consequente autodestrui\u00e7\u00e3o de nosso aparelho ps\u00edquico. E, igualmente, o barco ou navio que vemos naufragar na parte superior direita da gravura faz alus\u00e3o ao naufr\u00e1gio do nosso trabalho interior quando NOS ESQUECEMOS DE N\u00d3S MESMOS.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo interessante para ressaltar \u00e9 o fato de que esta gravura \u00e9 dirigida a uma mulher \u2500 \u00e9 feminino \u2500, por isso nossa tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como se fosse uma mulher que fala \u2500 a tristeza .<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e das preocupa\u00e7\u00f5es, pelo modo de como est\u00e1 estruturada a frase, \u00e9 a ansiedade mais que o ci\u00fame, e o que diz a frase \u00e9 que a ansiedade n\u00e3o quer que as coisas que est\u00e3o por vir cheguem.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora a tradu\u00e7\u00e3o da frase em latim: <\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><em>\"Non annis sed victa situ, sed et obsita pannis<\/em><br><em>In gemitu insomnem duco moestisima vitam<\/em><br><em>Afflictam obtundi me desperatio, fusam<\/em><br><em>Invidia absumit, tum me sine fine procellis<\/em><br><em>Zelotypa inuoluit, curarum prodiga Mater,<\/em><br><em>Anxia vestigans, quae non velit obuia ferri:<\/em><br><em>Ac nisi Diua suam mihi Commiseratio dextram<\/em><br><em>Porrigat, hac equidem non unquam fasce leuabor.\"<\/em><\/pre>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;Vencida, n\u00e3o pelos anos, mas pela situa\u00e7\u00e3o, e al\u00e9m disso coberta de trapos, trist\u00edssima, entre os gemidos levo minha vida sem dormir; quando j\u00e1 estou aflita, o desespero me enfraquece. Quando estou prostrada, a inveja me consome. Ent\u00e3o os ci\u00fames me envolvem com tempestades intermin\u00e1veis e ansiedade, M\u00e3e pr\u00f3diga de preocupa\u00e7\u00f5es, em busca das coisas que se aproximam, n\u00e3o quer que elas se aproximem: e a menos que a compaix\u00e3o divina n\u00e3o me estenda sua m\u00e3o direita, seguindo desta forma, certamente, nunca me aliviarei do fardo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescento algumas frases para refletir:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;A filosofia humana suprema \u00e9 estar preparado para tudo o que vier.&#8221;<\/em><\/strong><br>Quevedo<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>&#8220;O que \u00e9 um fil\u00f3sofo? Um homem que, se voc\u00ea ouvir, certamente te far\u00e1 mais livre do que todos os pretores.&#8221;<\/strong><\/em><br>Ep\u00edteto<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>&#8220;Os costumes dos fil\u00f3sofos n\u00e3o est\u00e3o de acordo com seus preceitos, mas se vivessem como ensinam, ensinariam como se deve viver.&#8221;<\/strong><\/em><br>Seneca<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;A filosofia \u00e9 uma patologia superior.&#8221;<\/em><\/strong><br>Hebbel<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>&#8220;A filosofia \u00e9 a hist\u00f3ria do erro humano com algumas fa\u00edscas de luz.&#8221;<\/strong><\/em><br>Othon Gruppe<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>EX AEQUO ET BONO.<\/em><\/strong><br>\u2500&#8221;De modo justo e bom.&#8221;\u2500<\/p>\n\n\n\n<p><strong>KWEN KHAN KHU<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este gravado pertence a uma s\u00e9rie de quatro partes sobre os tra\u00e7os humanos negativos. A s\u00e9rie foi gravada e editada em 1592 na Col\u00f4nia, Alemanha. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":42455,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[480,134,468],"tags":[1111,1124,1381,1382,1383,1384,1385],"contenido":[274],"fuente":[49],"pilar":[52],"fase":[],"conferencia":[],"read_online":[],"author_tax":[325],"class_list":["post-42498","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-simbolos-universais","category-psicologia-pt-br","category-mensagens-vm-kwen-khan-khu","tag-simbolismo-pt-br","tag-gravuras","tag-defeitos-psicologicos","tag-virtudes","tag-maarten-de-vos","tag-raphael-sadeler","tag-identificacao","contenido-artigos","fuente-maestro","pilar-ciencia","author_tax-v-m-kwen-khan-khu-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42498"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42505,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42498\/revisions\/42505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42498"},{"taxonomy":"contenido","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/contenido?post=42498"},{"taxonomy":"fuente","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fuente?post=42498"},{"taxonomy":"pilar","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/pilar?post=42498"},{"taxonomy":"fase","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/fase?post=42498"},{"taxonomy":"conferencia","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/conferencia?post=42498"},{"taxonomy":"read_online","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/read_online?post=42498"},{"taxonomy":"author_tax","embeddable":true,"href":"https:\/\/vopus.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/author_tax?post=42498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}